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Setor alimentício: Medidas para conter os efeitos da crise e garantir a perenidade dos negócios

 


Especialistas estimam um impacto médio-baixo nesta crise para o setor alimentício. Segundo economistas, o risco de falta abastecimento é muito baixo. O Brasil continua em plena produção de grãos e carne, porém, apesar de a oferta continuar grande, em face a uma desaceleração econômica imposta pelo surto, a demanda por alimentos poderá diminuir. Esse impacto deve ser sentido, sobretudo, no canal de food service, com menos pessoas indo a bares e restaurantes, amenizado pelos serviços de delivery que atenuarão os efeitos. Por outro lado, tal efeito poderia ser compensado pela maior representatividade das vendas nos supermercados, principalmente, para os frigoríficos.

As vendas de açúcar, feijão, arroz e farinha avançam 31%, devido ao aumento dos consumos em lares. Os lácteos também irão se beneficiar, em linha com o ocorrido na Itália e em outras crises similares no passado, a tendência dos consumidores neste primeiro momento é recorrer aos itens de higiene e limpeza, na sequência, alimentos.

Em relação às exportações, houve certa volatilidade nas exportações para a China, com portos inoperantes devido ao coronavírus e tentativas de renegociação de preços por parte dos importadores. Segundo as empresas de proteínas, a demanda na China está voltando a patamares normais e continuará alta, não tendo impactos significativos quanto à oferta de produtos. Vale lembrar que o setor de frigoríficos no Brasil vive desde 2019 um momento bastante promissor em consequência dos impactos da peste suína e influenza aviária na Ásia, Oriente Médio e Europa, além da redução dos rebanhos dos principais competidores brasileiros por motivos diversos, como EUA, Austrália, China e outros países asiáticos.

Por outro lado, embora o coronavírus não aparente ter piorado a situação, as incertezas ainda existem. O setor continua sob pressão de custo, especialmente do lado dos grãos, em virtude da possibilidade de aumento nos preços com a situação se perdurando. O custo de importação dos plásticos usados na embalagem também pode aumentar, provavelmente refletindo nos preços para os clientes na ponta. No entanto, se a demanda global cair, pode haver também um efeito positivo no mercado interno.

Há uma boa expectativa para o segundo semestre: a demanda por alimentos deve continuar, sustentada pela representatividade das vendas em supermercados, mais do que no setor de serviços. A situação da China vem se normalizando e nos EUA ainda se mantém controlável, com a demanda de importações elevada.

Neste momento, as empresas vêm implantando medidas de gestão de crise e de contingência, com o objetivo de garantir a proteção da saúde dos seus funcionários e a manutenção dos processos produtivos. As principais preocupações se mantêm inerentes a garantir que o vírus não se alastre entre os funcionários. Outra grande preocupação são as possíveis medidas governamentais para conter a crise que podem afetar o fluxo de produção e logístico de mercadorias, inclusive riscos de paralisações portuárias e impactos na cadeia de fornecedores, que também podem afetar as operações.

Algumas medidas que estão sendo tomadas pelas empresas do setor de forma a conter os efeitos do incidente e garantir a perenidade dos seus negócios são:

  • Motoristas e terceiros que se apresentarem para carregar mercadoria, deverão portar luvas e máscaras apropriadas contra a covid-19
  • Intensificação de pontos de álcool gel e limpeza
  • Suspensão de visitas, reuniões e entrevistas
  • Funcionários em home office, substituição de visitas presenciais por videoconferência
  • Medição de temperatura dos funcionários em todas as unidades
  • Cancelamento de viagens nacionais e internacionais
  • Idosos e gestantes liberados para ficar em casa
  • Conscientização dos funcionários para a importância da higienização pessoal
  • Obrigatoriedade da utilização de máscaras pelos visitantes
  • Cancelamento de todas as reuniões presenciais e remarcação através de meios digitais
  • Equipes de médicos do trabalho realizam o acompanhamento diário de todos os funcionários que apresentarem sintomas de gripe

Todas estas medidas estão sendo tomadas para as empresas evitarem o fechamento das plantas, garantindo que estas permaneçam operantes e a economia continue funcionando, atenuando os impactos da covid-19 na indústria e no comércio.