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Covid-19: A indústria química em perspectiva

 


O setor químico sofre também forte efeitos da pandemia instaurada. A estrutura do setor se divide basicamente em áreas administrativas e chão de fábrica e isto representa dois planos a serem estudados neste momento. O principal dilema não é quando, mas como reduzir de forma gradual a exposição em um grupo de administradores ou colaboradores da área produtiva. 

O que temos percebido neste momento são as equipes administrativas em trabalho via esquema home office e as áreas produtivas sendo monitoradas para que, em eventuais casos com suspeitas concretas, potencialize a forma do modelo de higienização das linhas de produção e coloque eventuais contatos em quarentena, seguindo inclusive as diretrizes dos órgãos de saúde.

O mercado em si vinha de uma leve recuperação no biênio 2016-2017. Depois teve uma queda em 2018-2019 (por exemplo, o CAN – Consumo Aparente Nacional com queda de 7,3% para 2019 em relação a 2018), sendo acentuadas as perdas em função do atual momento, já esperando a retração econômica citada por analistas. O PIB nacional de 1,1% foi o retrato de um ano de incertezas contribuído, agora, pela gestão de crise necessária.

Algumas companhias já apontam uma possível parada em função de uma determinação do governo, afetando diretamente seus resultados para 2020. Paradas operacionais são, de longe, uma das mais fortes preocupações das seguradoras, em função de algum tipo de falha na retomada da produção, devendo sempre comunicar o mercado através de um cronograma seus planos de retomada de uma fábrica. 

O setor químico depende hoje de quase 40% das importações para atendimento a demanda local total e a variação cambial afetará diretamente a operação, podendo, em alguns casos, fazer chegar o ajuste de preço no produto final entregue ao consumidor. Alguns mercados específicos, da segunda ou terceira geração (da saúde, por exemplo), devem obter melhores resultados, mas que não pesarão para um resultado total satisfatório para o segmento em 2020.

A pandemia já provoca comportamentos precaucionais na população, como diminuição de viagens nacionais, suspensão das internacionais, reduções de jornada e adoção do trabalho home office. Para grandes plantas produtivas, ainda não se observa as paradas produtivas, já comuns em grandes centros administrativos, em virtude dos níveis de estoque e consequentemente ação de seus respectivos controles de produção para as demandas do mercado.

Neste cenário, podemos destacar como pontos de atenção as seguintes exposições:

  • parada operacional, resultando em prejuízos financeiros
  • riscos relacionados a falta de produto no mercado
  • aumento do custo de produção com a alta do dólar (alta dependência de MP importadas)
  • dificuldade no escoamento da malha rodoviária (poucos produtos químicos são distribuídos em outros modais)
  • quebra de contrato com clientes/fornecedores pela não produção

Vamos entender que, quanto pior é a fase que estamos, maior é o aprendizado para fazer melhor na bonança.